Pulitzer revela-se ao fim de 26 anos
A 27 de Agosto de 1979, onze homens eram executados no Irão por outros onze homens armados com espingardas. O momento ficou para sempre gravado numa fotografia que deu a volta ao mundo e, no ano seguinte, ganhava o prémio mais cobiçado do jornalismo, o Pulitzer. Porém, durante 26 anos o autor deste documento histórico permaneceu oculto.
No passado fim-de-semana, finalmente, a testemunha da matança de Sanandaj revelou-se. Chama-se Jahangir Razmi e a fundação que concede os Pulitzer reconheceu-o como o autor da fotografia depois de ele mesmo contar a sua história ao jornal The Wall Street Journal (WSJ).
O registo fotográfico ganhou a categoria de Fotografia de Actualidade e, em Maio de 2007, receberá finalmente o prémio que lhe corresponde, ainda que passados 26 anos.
A fotografia foi então publicada a seis colunas no diário mais antigo do Irão, o Ettela at, e em escassos dias foi aparecendo nas primeiras páginas dos jornais de todo o mundo.
O editor de fotografia do referido jornal decidiu, há 27 anos, não revelar o seu autor por uma questão de segurança. A imagem, que continua a ser a mais famosa do Irão, sete meses depois de os islamitas radicais terem derrubado o xá, tornou-se num ícone do terror que o governo dos radicais impôs no país.
Na reportagem do WSJ, Jahangir Razmi, 58 anos, conta que os seus filhos lhe pediram muitas vezes para revelar que era o autor da fotografia e que lhes respondeu sempre: "Não. É melhor não." Isto apesar de confessar que sempre desejou contar a verdade, até porque era um segredo que lhe pesava. Além do mais, acrescenta, "sem esta foto, não seria nada".
"Quando concedemos, pela primeira vez na nossa história, um prémio anónimo, tínhamos a esperança de que o nome do vencedor acabasse por aparecer", disse Sig Gissler, administrador dos prémios, satisfeito com o desfecho da história e com a possibilidade de agora se fazer a justa homenagem ao vencedor.
por Paula Brito com agências , in Diário de Notícias

© Jahangir Razmi





















