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EM DESTAQUE
Novo prémio de fotojornalismo em Mora

Tentaram ser herdeiros do Prémio Fotojornalismo Visão, que este ano não se realizou, mas acabam por se afirmar independentemente disso. Os primeiros prémios Estação Imagem/Mora, coordenados pelo fotojornalista Luís Vasconcelos, realizam-se já em 2010 e envolvem uma bolsa para projectos sobre o Alentejo. A presidente do júri, que será totalmente internacional, é Ayperi Karabuda Ecer, vice-presidente do departamento de Fotografia da Reuters. E que presidirá, em 2010, também ao júri do World Press Photo.

Sábado, 31 de Dezembro de 2005  

Fotojornalismos em "O Mundo da Fotografia Digital"

O Fotojornalismos aparece como página web recomendada na edição nº 9 de Janeiro 2006 da revista O Mundo da Fotografia Digital. Em destaque, a minha foto "Tagus" publicada em postal dos CTT, edição 2004. Obrigado pela divulgação.

NOTA: Obrigado, Irina, pela dica

Quarta-feira, 28 de Dezembro de 2005  

Tsunami revisitado...um ano depois

Banda Aceh, na Indonésia, na altura do 'tsunami' e após um ano. Fotografias de John Stanmeyer.









Terça-feira, 27 de Dezembro de 2005  

Faleceu o Vítor Hugo

Morreu o Vítor Hugo, jornalista e meu colega do jornal A Bola. Deixou-nos na véspera de Natal. Com ele tive o prazer e o privilégio de trabalhar algumas vezes. Era um homem simpático, companheiro e muito profissional. Ainda me lembro como se fosse hoje a primeira vez que fiz um trabalho com ele. Foi numa entrevista com o técnico de basquetebol do Queluz, Alberto Babo...ele viu-me e disse: "És novo no jornal, pá? Olha, as fotos é contigo. Tu é que percebes disso. Eu não me meto nessas questões. Tás à vontade...". Guardo as melhores recordações. Até sempre, Vítor!

Para vocês recordo um dos trabalhos que fiz com ele, talvez o melhor de todos eles...


in Jornal A Bola

Segunda-feira, 26 de Dezembro de 2005  

O nascimento de uma linguagem

O ano, 1826. O local, a cidade de Paris. Um inventor muito criativo, Niépce. A invenção, "capturar uma vista da natureza numa placa de vidro polida e sensibilizada"

Há cento e setenta e nove anos, graças ao francês Joseph Niépce, o homem passou a registar o que visualiza, no seu dia-a-dia, através da fotografia.
Niépce cobriu uma lâmina polida de vidro com "betume da Judeia", expôs por oito horas para captar uma vista de telhados ao sol, usando uma caixa com uma lente e então tratou-a com uma solução de lavanda e terebentina. Estava feita a primeira fotografia.
Milénios antes, os habitantes das cavernas deixaram a sua escrita nas paredes de pedra, representando os seus hábitos, os seus semelhantes e os animais que os cercavam. A escrita rupestre foi assim a primeira manifestação dada pelo homem para eternizar as informações visuais que desejava legar aos seus descendentes.

Ao longo dos tempos, artistas usaram várias maneiras, formas, materiais e cores para registar o mundo que os cercava. Pela pintura, pelo desenho e pela escultura interpretaram o Evangelho e a Bíblia, pintaram retratos de reis, esculpiram catedrais, decoraram túmulos, tectos e paredes de castelos, desenharam azulejos, registaram guerras e retrataram a história da humanidade.
A invenção da fotografia foi o clímax inevitável de uma antiga atracção entre a ciência e a arte. O homem, através dos séculos, pressentia que algo mágico seria criado para atender à necessidade do registo fiel do que lhe passava aos olhos, um impulso enraizado de registar as suas observações mais imediatas e tornar permanente seu conhecimento visual. Mas o sonho permaneceu tão indefinido quanto fascinante.
Para o filósofo Aristóteles, a "câmara escura" era um fenómeno familiar: bastava um orifício para a entrada, num recinto escuro, de uma imagem externa invertida. Leonardo Da Vinci, mestre do Renascimento, descreveu as suas propriedades e, em 1568, Danielo Barbaro, da Universidade de Pádua, demonstrou que uma imagem nítida e clara era produzida pela substituição do orifício por uma lente. Desde então os pintores italianos passaram a pintar paisagens, com precisão de detalhes, usando este mecanismo.

A parte "física" da fotografia estava descoberta. A parte "química" veio em 1725, quando o pesquisador alemão Johann Shulze descobriu que os sais de prata sofriam radical alteração uma vez expostos à luz: o ingrediente essencial para chegar até a fotografia, uma vez aliado ao fenómeno físico da imagem projectada, através de um orifício numa caixa escura, estava identificado.
Uma centena de anos foi necessária para a conjugação dos elementos físico e químico resultarem no milagre que chamamos de fotografia.

Uma linguagem universal que, tal como a música, dispensa tradução para ser compreendida em qualquer parte do mundo.

por Flávio Damm (adaptado)

Quinta-feira, 22 de Dezembro de 2005  

Quem acredita no fotojornalismo?

O grande público, motivado pela força da imagem fotográfica, está tomado do "espírito fotojornalístico"

Deu no jornal no dia 24 de agosto deste ano: "No mesmo Rio em que os jogadores de futebol e pagodeiros bajulam traficantes e celebridades se curvam a bandidos, uma senhora de 80 anos dá um exemplo de coragem e indignação. De sua janela, Dona Vitória (nome fictício) assistia ao movimento de traficantes na Ladeira dos Tabajaras, em Copacabana. Revoltada, fez o que estava ao seu alcance: alertou a polícia. Seu apelo não foi ouvido. Diante disso, foi além de seu alcance. Comprou uma filmadora em 12 vezes, com uma entrada de R$ 800, e a partir de 2003 pôs-se a registrar o que via por dias e noites, as idas e vindas de usuários e de traficantes que se exibiam com fuzis. Foram cerca de dois anos de trabalho, 22 fitas e 33 horas de gravações. Ela voltou à polícia com o material – um registro impressionante da violência – e a ação foi imediata: a prisão de 15 bandidos, entre eles um cabo e um capitão PM."

Esta é - possivelmente - a melhor demonstração que se possa ter em matéria de confiança no que o fotojornalismo representa para a sociedade: uma mulher idosa teve a lucidez de usar um dos mais dinâmicos meios de sensibilização da opinião pública – a fotografia jornalística – para denunciar a marginalidade sendo praticada impunemente, a poucos metros do seu quieto dia-a-dia de octogenária.

E o que isso mostra? Mostra como o fotojornalismo marca mais a opinião pública do que as matérias escritas, especialmente porque a "digestão" da informação visual é mais rápida e de maior impacto.

Com isso, o grande público, hoje com amplo acesso ao comércio das câmeras digitais de todo o tipo de preço, motivado pela força da imagem fotográfica, está tomado do "espírito fotojornalístico".

Acredita na credibilidade da imagem.

Um fotógrafo de "O Globo", em recente encontro que tivemos, manifestou o desagrado havido na equipe desse jornal pelo fato de o seu editor ter preferido publicar, na primeira página, uma fotografia de uma cena de rua feita durante uma enchente ocasionada pela chuva, da autoria de uma leitora.

Havia boas fotos feitas pela equipe que foi para a rua, dizia ele, e o editor deu o espaço para uma amadora desconhecida.

Respondi que esse fato tem dois lados: um é a evidente conscientização do valor da imagem jornalística por parte de não- profissionais – leitores tão-somente -, e o segundo é uma advertência aos profissionais, de que eles não estão mais sozinhos pelo simples fato de serem profissionais.

Saiu ganhando o fotojornalismo, mesmo amador.

E é bom lembrar a frase de João Cabral de Mello Neto: "Fotografar é afiar a navalha nos olhos".

por Flávio Damm, em Photos, O Portal da Fotojornalismo

Quarta-feira, 21 de Dezembro de 2005  

2005 - Um ano em imagens (pela MSNBC)

No site da MSNBC pode ver a escolha do editor de fotografia, dos leitores e até votar naquela que mais gosta. Há fotografias espectaculares.

Convido a uma visita aqui.

Terça-feira, 20 de Dezembro de 2005  

Recomendo...

Visite o blog Ricardo Quaresma 83, um blog da responsabilidade de Magda Silva. Com algumas das fotos de minha autoria e layout criado por mim (adaptado do Blogger Templates).
Passe por lá!

Segunda-feira, 19 de Dezembro de 2005  

A presença do fotojornalismo

O fotojornalismo cada vez mostra mais ao que veio: informar de forma dinâmica e objectiva o público leitor de imprensa

Nas últimas décadas grandes acontecimentos mereceram coberturas fotográficas que, ao informar, emocionaram e aterrorizaram o público no mundo inteiro.

Em 1939 Hitler fez a Europa tremer quando uma histórica fotografia de tropas alemãs enfileiradas diante da Porta de Brandenburg, em Berlim, foi impressa na primeira página de jornais nos cinco continentes: não era só a Europa que tremia de pavor, o mundo inteiro antevia o caos que estava para vir. E que veio.

A retirada dos ingleses de Dunquerque, na Segunda Guerra Mundial, foi mostrada por uma fotografia de uma praia coalhada de armas e capacetes abandonados.

Londres ardia ininterruptamente, alvo das bombas V2, e os jornais exibiam a imagem de Churchill, com os dedos em V como sinal de vitória, chamando o povo inglês ao estoicismo e à coragem para resistir e suportar o que parecia ser um desastre inevitável.

A destruição de Hiroshima e Nagasaki, cidades do Japão que foram varridas do mapa pelas bombas atómicas, em 1945, causaram um horror visual que o mundo não esquecerá.

As imagens dos primeiros passos dos astronautas na Lua fizeram o mundo repensar sobre a origem e o destino da humanidade.

Tivemos, nas últimas semanas, um farto noticiário fotográfico originado em Roma, precisamente no Vaticano, por ocasião da evolução da enfermidade do Papa João Paulo 2º e sua morte, seguido de cerimónias que culminaram com a eleição de seu sucessor.

O fotojornalismo mais uma vez, neste recente episódio, disse ao que veio: a emoção popular causada pelo acompanhamento do desfecho de mais um evento de interesse universal teve, na alta qualidade das imagens veiculadas, a comprovação da força que a fotografia representa na mão do leitor.

Por mais avançada que esteja a comunicação via televisão, a fotografia impressa tem o seu peso específico insubstituível.

por Flávio Damm

Domingo, 18 de Dezembro de 2005  

A informação no PÚBLICO através da fotografia

A passagem de ano em Berlim, em 1989, após a queda do Muro: o repórter fotográfico Carlos Lopes estava lá e fixou o momento. Um adolescente sorridente mergulha de pés nas águas da piscina municipal do Porto, em 1993, e Paulo Ricca não deixou passar o salto. A cerimónia do 10 de Junho de 2000 foi em Viseu e coube a Manuel Roberto fixar o friso com as principais figuras do Estado em gestos comuns e cómicos. Um camponês descansa no bordo de um tanque na feira do gado de Boticas, em 2002, quando Nélson Garrido “dispara” a sua máquina. No ano seguinte, coube a Adriano Miranda registar uma conversa entre António Vitorino e Ernâni Lopes, respectivamente o político português mais baixo e mais alto, no dizer do sociólogo e colaborador do PÚBLICO António Barreto. Em 2004, Luís Ramos cobre a sétima travessia de Portugal em balão e regista um voo solitário entre céu e mar. Um difuso Santana Lopes à saída de Belém, depois de conhecer a decisão do Presidente da República de dissolver o Governo, é apanhado por Miguel Madeira.

É com estas e muitas outras imagens de todos os profissionais que trabalham (ou trabalharam) no PÚBLICO que se faz o álbum PÚBLICO 15 Anos de Fotografia, lançado anteontem na Feira do Livro de Lisboa e que será vendido em banca juntamente com o jornal de amanhã. José Manuel Fernandes, director do PÚBLICO, sublinhou na ocasião a originalidade da iniciativa, pois “raramente há oportunidade de recolher em livro fotografias segundo um critério que teve em conta a qualidade do fotojornalismo e das próprias fotos”. O jornal contou com a participação no projecto do Banco Espírito Santo (BES), patrocinador exclusivo da edição, no âmbito do programa de apoio cultural daquela instituição financeira à fotografia.

A selecção final das fotografias foi feita por Manuel Silveira Ramos e José Soudo, a partir dos trabalhos designados pelos próprios fotógrafos. O primeiro explicou os critérios seguidos na escolha das fotografias: “Não foi feita uma escolha jornalística das imagens mais datadas, mas tendo em conta o que nelas perdura para além dos acontecimentos a que se referem.” Silveira Ramos recordou ainda que 90 por cento dos fotógrafos do PÚBLICO (redacção de Lisboa) foram alunos do curso de fotografia do AR.CO, onde é professor: “É nesta casa [PÚBLICO] que vamos ser mais felizes tanto em quantidade como em qualidade e pode dizer-se que são os fotógrafos do jornal que vieram formando o AR.CO, e não o contrário.”

António Barreto, por seu lado, considerou o PÚBLICO como “o mais interessante exemplo dos últimos anos de prática do fotojornalismo”, onde se consolidou uma maneira nobre de fazer fotografia nos jornais”, a que não é alheio “o gosto educado dos seus repórteres fotográficos”. Ainda antes de ter a sua imagem global consolidada, o diário “impressionou rapidamente o leitor com a utilização da fotografia”, disse Barreto. “Jornal sério, o PÚBLICO soube utilizar a fotografia com rara elasticidade, cruzando ironia com criatividade com o objectivo de informar”. Elogiou ainda a capacidade de manuseamento da fotografia “com rigor e respeito de critérios fotográficos” estabelecidos, como é o caso da indicação do nome do autor e a proibição de manipulação da imagem em termos de informação.

As fotografias incluídas neste livro são da autoria de Adelino Meireles, Adriano Miranda, Alfredo Cunha, Bruno Portela, Bruno Rascão, Carla Carvalho Tomás, Carlos Lopes, Daniel Rocha, David Clifford, Dulce Fernandes, Fernando Veludo, Hugo Delgado, José Manuel Ribeiro, José Rocha, Luís d’Orey, Luís Ramos, Luís Vasconcelos, Luísa Ferreira, Manuel Roberto, Mário Marques, Miguel Madeira, Nélson Garrido, Nuno Ferreira Santos, Paulo Carriço, Paulo Pimenta, Paulo Ricca, Pedro Cunha, Rui Gageiro, Rui Gaudêncio, Sérgio Azenha.


FICHA TÉCNICA:
15 ANOS DE FOTOGRAFIA
Dimensões: 26.8 x 26.9
Capa dura e sobrecapa
Lombada plana
300 Páginas
30 Fotógrafos e respectivas biografias
350 Fotografias
Prefácio de António Barreto e José Manuel Fernandes
Texto de Adriano Miranda (editor de fotografia do jornal PÚBLICO)

Sexta-feira, 16 de Dezembro de 2005  

A Fotografia e a Eternidade

Porto da Barra, Salvador, Brasil, 2000

Uma fotografia, qualquer que seja, tem a capacidade de nos colocar diante de um enigma temporal. Tão logo vemos uma fotografia de imediato somos tomados por uma série de questões. Quem? Quando? Onde? Porque? A imagem, soberana, a nada, ou quase nada, nos responde. A fotografia questiona, faz pensar. As chaves para decifrar seus enigmas são todas as que o leitor for capaz de encontrar. Uma fotografia é uma gama imensa de possibilidades de interpretações. O certo é o incerto. Logo, a fotografia é a linguagem mais ligada à imaginação que à razão.

A fotografia é a representação de algum momento passado. Tão logo acabamos de dar um clic na máquina, a cena que víamos já foi tragada pelo tempo. Dessa forma devemos pensar que a fotografia é a linguagem que só existe enquanto narrativa de algo que já passou, já morreu.

O que são essas imagens que vemos impressas em papel fotográfico, meio amareladas numa caixa de sapato dentro do guarda-roupas ou organizadas em álbuns? Que imagens são essas capazes de nos puxar pela memória emoções tão genuínas? Porque essas fotografias que ilustram as páginas de um jornal, de uma uma revista, nos causam ternura, raiva, compaixão, alegria?

Uma fotografia espelha de forma crua e poética a tentativa do homem em registrar a trajetória da sua vida. Seja fotografando o aniversário de um parente ou uma viagem de fim de semana, sempre pensamos em eternizar momentos que sabemos fugidios. Fotografar é uma tentativa sorrateira de estancar a sangria do tempo. De fixar, para sempre, emoções que surgem e desaparecem num átimo.

Sabemos, afinal, que as fotografias irão sobreviver a todos nós. Fotografar, portanto, é a afirmação do nosso desejo de imortalidade. Uma forma da nossa história ganhar uma sobrevida. Quem, afinal, não se emociona ao ver imagens de nossos entes queridos que já não podem mais ser fotografados.

O poder que as fotografias possuem em estimular nossa imaginação e essa conexão com o eterno são fatores que permanecem intrínsecos à linguagem. É o que estimula quem cria e quem observa imagens com acuidade, para além do bombardeio de imagens a que somos impostos diariamente. Permitir-se sensibilizar com o olhar do outro é um ato de entrega e de comunhão sem paralelos.Aqui nesse espaço (virtual) vamos falar de fotografia. Logo, os desígnios da vida, do tempo, do homem é que serão nosso objeto de especulação. Conto com a colaboração, opinião e sugestão dos internautas do Fotosite.

Por Eder Chiodetto
Jornalista, fotógrafo e autor do livro "O Lugar do Escritor" (Cosac Naify)

Quinta-feira, 15 de Dezembro de 2005  

Fotojornalismos solidariza-se com Daniela Mercury

O Vaticano cancelou a participação da cantora Daniela Mercury num concerto de Natal, que teve lugar no passado dia 3 de Dezembro, com a presença do papa Bento XVI, o qual acabou por não comparecer. Segundo o Vaticano, a decisão foi tomada por causa da participação da cantora numa campanha contra a SIDA, no Carnaval passado, em que ela defendeu o uso de preservativos.

O Fotojornalismos, especialmente a minha pessoa, por achar a decisão da Santa Sé descabida, porque conheço a cantora brasileira e acompanho como profissional da fotografia os seus concertos em Portugal, nomeadamente para valorização do seu acervo fotográfico, solidariza-se totalmente com Daniela Mercury.


© Gonçalo Lobo Pinheiro - Daniela Mercury comemorando o seu 39º aniversário em Portugal

Quarta-feira, 14 de Dezembro de 2005  

As melhores de 2005, segundo a TIME

Visite o site da TIME e veja a escolha editorial da revista no que diz respeito às melhores fotos de 2005. Pode votar naquela que ache a melhor ou, simplesmente, aquela que mais goste!

Segunda-feira, 12 de Dezembro de 2005  

Fotojornalismo e efeitos de real

A objectividade da fotografia existe, mas coabita com zonas de subjectividade.

«Ver para crer», dizia São Tomé, fazendo uma ligação directa entre as imagens e a verdade. Ainda hoje o olhar é considerado fonte primeira de conhecimentos e de informações. A imprensa compreendeu isso depressa e usou a força das imagens para tornar a informação mais apelativa e credível. A fotografia de reportagem é ainda mais «espelho» do que a informação escrita. Faz-nos crer que é o próprio mundo. De facto, a imagem contém algumas características deste, como as formas dos objectos e das pessoas. Isto não acontece com as palavras. A imagem fotográfica passa pela objectiva da câmara. O objecto ou pessoa fotografada como que «imprime» na película os seus traços, deixando marcas físicas da sua presença.

Essa objectividade da fotografia existe mas coabita com zonas de subjectividade com que os fotógrafos operam sobre o mundo que registam. Os enquadramentos e modos de fotografar têm significados. Por exemplo, quando são abertos, como no caso de uma fotografia de Cavaco Silva no lançamento de um livro (capa do DN, de dia 3). Nela se capta aquele político e outros participantes no evento. Com este plano aberto, abrangendo os fotojornalistas em actividade, mostra-se a forte mediatização da sua presença, o que não poderia ser obtido com um enquadramento fechado. Outras vezes faz planos mais apertados caso de uma foto do Presidente da República, na capa de dia 10, acompanhada do título O que vai na cabeça de Sampaio. Este enquadramento apertado chama a atenção para o peso da decisão de Jorge Sampaio. Tira a fotografia em picado (a olhar para baixo) ou em contrapicado (a olhar para cima) no jornal de ontem, domingo, o balão de uma criança tinha um autocolante de um dos candidatos às eleições da Ucrânia. A presença da criança, símbolo de futuro, e a importância do acto democrático foram bem destacados pela posição mais baixa do fotógrafo no momento da tomada de vistas. Pode focar ou desfocar personagens ou objectos (capa de dia 21). Nesta imagem, acentua-se a responsabilidade do primeiro-ministro, bem visível na imagem, sob a vigilância do Presidente da República, que aparece desfocado: o título refere-se à derrapagem do défice. O fotojornalista tem a possibilidade de dar maior ou menor profundidade de campo à situação ou usar, a posteriori, facilidades acrescidas das tecnologias digitais, nem sempre usadas de forma transparente (ver * em «Bloco-Notas»). E tem ainda muitas outras soluções para representar o que vê. Tudo isto está no coração da parte fotográfica do jornalismo, o fotojornalismo. Na imprensa procura-se, sobretudo, obter efeitos de real.

A fotografia de imprensa tem vários níveis de leitura. Um semiólogo francês, Frédéric Lambert *, identifica quatro 1) o nível dos efeitos de real que provoca, 2) o do reconhecimento cultural, 3) o nível simbólico e 4) a retórica utilizada.

Os efeitos de real são sobretudo provocados pela perspectiva frontal das imagens, ou seja, o leitor vê tal como veria o fotógrafo. Estes efeitos são também provocados pelo instantâneo uma fracção de segundo antes ou uma outra depois, teriam dado uma imagem diferente. Há ainda o reconhecimento cultural: quaisquer das personagens já referidas, que ilustra- ram primeiras páginas, são de fácil reconhecimento público. O terceiro nível, simbólico, pesa nestas leituras: por vezes as imagens já não representam apenas as personalidades, factos ou ocorrências, ganhando um estatuto convencional que lhes é atribuído socialmente. A fotografia tem, por último, uma retórica própria, que nos leva, por exemplo, a procurar contrastes entre os seus elementos: preto e branco, algo que «está em movimento» e que se opõe ao que está parado, o nítido e o desfocado, o mundo da guerra e o mundo civil, os homens e as mulheres, os poderosos e os oprimidos. Uma fotografia contrastada ganha vivacidade. A foto que ilustra a luz verde às negociações com a Turquia no Parlamento Europeu (capa de dia 16) é um bom exemplo: cores diferenciadas, homens e mulheres, votos de «sim» e de «não», posições de corpo díspares, posição frontal que coloca o leitor na posição do fotógrafo. Um momento, uma fracção de segundo em que o Parlamento Europeu foi assim, naquele sector.

E que as fotografias referidas bem revelam, dando-nos a ilusão do real. São assim as imagens.

*Lambert, Frédéric, Quatre niveaux de lecture d'une image photographique de presse, in Le photojournalisme informer en écrivant avec des photos, Paris, Centre de Formation et de Perfectionnement des Journalistes, 1990, pp 39-42.

José Carlos Abrantes
Professor universitário
in Provedor do Cliente (jornal Diário de Notícias)

Quinta-feira, 8 de Dezembro de 2005  

Hoje Aconselho...

A World History of Photography, de Naomi Rosenblum


Edição Amazon.co.uk

Quarta-feira, 7 de Dezembro de 2005  

Recomendo...

Uma visita ao blog Comunicarte Design, da autoria de João Paulo Ferreira. Um blog de divulgação do design e das novas tecnologias em Portugal.

Confira aqui e "alimenta a tua criatividade!"

Visite também o site 1000 olhos. Um projecto que parte da ideia base de fomentar a promocão qualitativa da região da Costa Vicentina. Só por isso, se compreende a grande aposta em Aljezur, onde se encontra sediada a base de todo o projecto 1000 olhos: a 1000 olhos_shop com as suas criações alusivas à região, através de séries de produtos promocionais, exclusivos e limitados; e a 1000 olhos_agência com todo o seu universo de criatividade contemporânea, dentro das áreas da comunicação e da imagem.

Faça uma visita a Aljezur ou simplesmente confira o site aqui

Domingo, 4 de Dezembro de 2005  

Cd "Bat Macumba - live in concert"

A edição portuguesa do cd "Bat Macumba - live in concert" de Daniela Mercury, foi editada este mês pela Megamúsica. Primeiramente editado apenas na Alemanha, o cd chega finalmente a Portugal. A fotografia da contracapa é da minha autoria.

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